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Fortaleza Poética

  • Foto do escritor: Luciano Dídimo
    Luciano Dídimo
  • 5 de jun.
  • 11 min de leitura

Vicente Alencar


imagem criada por inteligência artificial
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Senhora Presidente, a quem cumprimento especialmente, e fazendo-o elevo minhas palavras a todos os Membros da Mesa,

Confrades e Confreiras,

Membros das demais entidades literárias aqui presentes,

Senhoras e Senhores Convidados,

Caríssimos colegas e amigos,

Nossa Fortaleza completará, dia 13 de abril, 300 anos, desde que foi guindada à condição de Vila, no distante ano de 1726, transformando-se em Capital, em 1823 e, chegando à potência que é hoje, como Capital do Nordeste e Quarta Metrópole brasileira.

Impossível seria dissertar sobre todos os seus momentos e sua história até aqui. Por isso mesmo, nos reportaremos à FORTALEZA POÉTICA, um nicho dentro de nossa existência, justamente por ser um dos pontos de maior interesse de uma Academia de Letras como a nossa, que leva o nome da Cidade.

Assim sendo, vamos aos fatos:

Após idas e vindas no campo Documental, a Fortaleza, finalmente, alcançou a condição de Vila, em 13 de abril de 1726, graças à Coroa Portuguesa. Antes, a primeira Vila do Ceará já havia sido instalada, em Aquiraz, a 27 de junho de 1713. E, dentro da história, lhe deu fama de primeira Capital do Ceará.

Assim sendo, São José de Ribamar, de Botas, e Nossa Senhora da Assunção, com as bênçãos da Igreja Católica, passaram à história do Ceará.

A primeira tentativa da Colonização, em Fortaleza, foi feita em 1603, por Pero Coelho de Sousa, aqui chegado com mulher e filhos. Levantou o FORTIM de São Tiago, na embocadura do Rio Ceará, local depois conhecido como Barra do Ceará.

Face à conhecida primeira Seca, em 1605, Pero Coelho de Sousa foi embora a pé, rumo ao Rio Grande do Norte, empreitada onde morreu de fome e sede, um dos seus filhos. Aqui, ele desejou chamar a Província de Nova Luzitânia.

Em 1612 aqui aportou o açoriano Martins Soares Moreno, que inspirou José de Alencar, na sua prosa-poema Iracema. Amigo da Índia, ele pintava-se de Urucu e Jenipapo, nascendo aí um grande romance.

Em 1613 foi para o Maranhão, com Jerônimo de Albuquerque, voltou ao Ceará em 1621, daqui para Pernambuco, de onde jamais retornou.

Em 1649 aqui chegou a expedição de Matias Beck, o holandês, que já emprestou seu nome, onde já foi Avenida Getúlio Vargas e, também, Presidente Kennedy.

Matias Beck apaixonou-se pelo litoral, e no local Marajaitiba, criou o forte que, viria a chamar-se, depois, Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Em sua época foi batizado de Forte Schoonenborch (pronuncia-se Chumberburque).

Os anos passaram e, em 17 de março de 1823, o Imperador Dom Pedro I, determinou que o lugar se chamasse Fortaleza de Nova Bragança, denominação essa “que não pegou”, como se diz em nossa terra.

Mas, entrando no que nos interessa, em termos de Literatura, em Fortaleza, os primeiros sinais de reuniões Literárias em nossa hoje Capital, apareceram por volta de 1813, com os chamados OITEIROS, poetas que se reuniam em torno do Governador Manuel Inácio Antônio de Sampaio, que gostava de elogios e por isso mesmo, concordava com a presença dos Poetas que lhe faziam as vontades, derramando-se em elogios a Sua Senhoria.

Comenta-se, e o historiador e pesquisador Sânzio de Azevedo, registra em sua obra, que José Pacheco Espinosa, procedente da Ilha da Madeira e aqui vivendo, e também, contando com as anotações do Arquiteto José Liberal de Castro, foi o autor do soneto “Ao Aumento da Vila de Fortaleza”, sem maior destaque, mas, o primeiro que se conhece falando a respeito de nossa hoje Capital:

Vai ó Fama, por toda a redondeza

Publicando por tuas bocas cento,

Do Ceará que foi pobre o muito aumento,

A grande exportação, suma riqueza.


Dize que já se vê fausto e grandeza,

Na sua Capital do Chefe assento:

Que polícia já tem, tem luzimento,

E tem o que não tinha, Fortaleza.


Dize que do governo a alta mente

Estas obras brotos assaz louvadas,

Por todos, sim, por todos geralmente;

Erários novos, rampas e calçadas,

aterro, chafariz, aula excelente,

novas ruas, muralhas elevadas!

PS. Observe o português da época.

Alguns anos depois, 1872-1873, apareceria a Academia Francesa, congregando nomes que viriam, posteriormente, a se tornarem grandes vultos em nossa terra: Capistrano de Abreu, Rocha Lima e Araripe Júnior, entre outros.

A Academia surgiu quando pontificava o Romantismo, e José de Alencar, radicado no Rio de Janeiro, se tornava conhecido em todo o país.

Apesar de todo o sucesso, a Academia não teve vida longa, findando-se em 1875.

Mas, deixando de lado tantos anos, vamos ler um Poema mais atual, do Presidente de Honra desta Academia Fortalezense, o professor, jornalista e político Cid Carvalho:


FORTALEZA


No bloco dos meus mortos escalo dunas,

seios de luz na noite do Mucuripe

e alongo a miopia mar adentro:

as caravelas passam ao largo

e os marinheiros não sabem quem somos

e nem onde estamos agora;

Jacarecanga está aqui na história

do nosso peito, nos sobrados

que suspiram,nas ruas velhas que gemem de saudade;

na Praça do Ferreira há quiosques

e a Padaria Espiritual não foi dormir ainda;

Porangaba é muito longe,

Mecejana é uma promessa na viagem

programada;

os bairros se preparam para nascer,

enquanto o mugido dos bois

chega das fazendas laterais;

na nossa saudade incrível, caro nome,

favela é nome do futuro

e ameaça o que o poeta adivinha,

enquanto a Praia de Iracema

desperta em violência nos protestos

contra o caos.

Somos Fortaleza rediviva:

aí, quando o mistério cessa

os dramas sociais tomam as ruas

da metrópole real.

Quero reter num verso e desgraçado tempo,

Mas Nossa Senhora da Saudade diz que não.



Mas, meus amigos, depois da Academia Francesa, o crescimento foi acontecendo com a criação de pequenos Grupos, entre eles o Clube Literário, primeira grande contribuição para o Realismo. Uma boa contribuição da Província, ganhando elogios de Antônio Sales, que liderou o movimento da Padaria Espiritual, com boêmios ilustres, que frequentavam o Café Java, na Praça do Ferreira.

Corria o ano de 1892. O primeiro grito modernista no Brasil, 30 anos antes da Semana de 22, em São Paulo.

Com um Jornal denominado O PÃO, e todos os seus membros sendo chamados AMASSADORES, o Movimento tinha um Padeiro Mor equivalente ao posto de Presidente, dois Forneiros que eram os Secretários e um Gaveta, o Tesoureiro, um Guarda Livros, o Bibliotecário de hoje, além do Olho da Providência, um investigador da vida de cada um. Foi um sucesso nacional.

O PÃO, inclusive, em uma de suas primeiras edições, publicou trovas, que foram sucesso:

Você diz que bala mata,

bala não mata ninguém:

A bala que mais me mata

São os olhos do meu bem.


No lugar aonde eu canto,

todos tiram o chapéu:

cada repente que eu tiro

corre uma estrela no céu.


Quisera ser encantado,

menina pra te roubar

E te deixar escondida

no fundo escuro do mar.


Quem disser que o amor não dói

Desconhece amor, então:

Queira bem e viva ausente,

Veja lá se dói ou não...


Valha-me nossa Senhora,

Mãe de Deus, ó Virgem Pia!

Doce bom não desonera,

Cabra bom não desconfia!


Peguei na perna da vêa

Pensando que era da fia...

Minha senhora desculpe,

que era de noite, eu não via...


Esta noite tive um sonho

Meu Deus, que sonho atrevido:

Sonhei que tinha na rede

A forma do teu vestido!


Os anos passaram, Fortaleza desenvolvendo-se sentiu que a Academia Cearense, criada em 15 de agosto de 1894, deu continuidade a uma vitoriosa jornada.

E, nunca mais parou, por que não dizer, em todo o Estado.

Anos e anos depois, com tantos Poetas cantando a nossa terra.

O aracatiense Francisco de Paula Nei, nascido em 02 de fevereiro, de 1858, foi um dos apaixonados por nossa cidade e produziu o mais famoso soneto sobre ela, hoje conhecido em todo o Brasil, destacando-se a frase Loura Desposada do Sol, um dos bonitos versos do poema.

Vejamos FORTALEZA, de Francisco de Paula Nei:


FORTALEZA


Ao longe, em brancas praias embalada

pelas ondas azuis dos verdes mares

a Fortaleza, a loura desposada

do sol dormita à sombra dos palmares.


Loura de sol e branca de luares,

como uma hóstia de luz cristalizada

entre verbenas e jardins pousada

na brancura de místicos altares.


Lá canta em cada ramos um passarinho,

há pipilos de amor em cada ninho,

na solidão dos verdes matagais.


É minha terra! A terra de Iracema,

o decantado e esplêndido poema

de alegria e beleza universais.


Os anos passaram, Poetas e Poetisas de nossa Academia Cearense de Letras, que teve a primazia de ser a primeira do Brasil, antes mesmo do aparecimento da Academia Brasileira, se dispuseram a louvar Fortaleza.

Na Padaria Espiritual, no Centro Literário, nas dezenas de agremiações Culturais a mão cheia, aquelas que no período de 1910 a 1930 como Grêmio Literário Cearense, Academia dos Novos, em 1920, Academia Rebarbativa, Arcádia dos 14, Tertúlia Clóvis Beviláqua, Hora Literária e Grêmio Literário Paula Nei, para citar apenas alguns.

Todos se destacaram na Poesia a Fortaleza, até mesmo a Literatura de Cordel nos anos posteriores e porque não registrar os Trovadores, inteligentes portas dos 4 versos.

O Trovador João Batista Lima Ferreira:


Fortaleza bela terra,

meu berço de nascimento,

haja paz, haja guerra,

não te esqueço um só momento,


Não satisfeito, ele fez uma outra para nossa Cidade:


Fortaleza, terra rica

de beleza e de encanto

Qualquer um que chega fica

enfeitiçado, garanto.


Ideusmar Faheina Chaves cantou desta maneira:


Fortaleza, terra bela

quem visita faz sonhar.

És um quadro de aquarela

Nas águas verdes do mar

Maryse Weyne Cunha fez bela trova:


Terra da Luz – Fortaleza

do meu Nordeste és a mais

cantada em tua beleza

à sombra dos coqueirais.


José Alberto de Melo, trovador nascido em Redenção, poetizou:


Cidade de Fortaleza,

Capital do Ceará,

Ao coração vives presa

De quem a ti preso está.


O Padre João Linhares de Lima, nascido em Morada Nova, também, elogiou a Capital:


Ó Fortaleza formosa,

casaste co’ o sol ardente...

que te fez esplendorosa

E berço de boa gente.


Ezequiel Pinto de Sousa, lembrou nossas jangadas:


Jangada vai, entrementes,

singrando os mares bravios,

conduzindo homens valentes,

que enfrentam mil desafios.


No início da década de setenta, o Príncipe dos Poetas Cearenses, Artur Eduardo Benevides, presenteou Fortaleza com um volume intitulado Cancioneiro da Cidade de Fortaleza, congregando 104 poetas, todos com os seus cantares, com o coração aberto, mostrando seus afetos por nossa terra.

Ele, Artur Eduardo Benevides, naquele volume, nos apresentou seu Poema:


CANTO DE AMOR A FORTALEZA


Não tens Capibaribes ao luar.

Não tens ilhas defronte.

Não tens pontes.

Não tens ventos terríveis, minuanos.

Não tens brumas, montanhas, nem fortins.

És pobre, Cidade.

Mas és bela.

Tens mistérios e muita adolescência.

Se contemplo o teu vulto penso em rosas.

Tenho pétalas em mim se te murmuro

Quanto és, mansa, e bucólica, e pura,

e bela, e jovem, ó grande flor atlântica

plantada mais em nós do que no chão!

Cidade das velhas serenatas

de doces pastorinhas e fandangos

de retretas românticas, de valsas,

de usanças que o tempo já não traz.

Quem foi que sepultou teus violões,

tuas cirandas, modinhas e quermesses,

tuas festas de Reis, tuas lanternas,

teus sobrados, serões e bandolins!

Quanto sofro por ti, pois te desnudam

e te tornam uma girl made in USA

e já não ouves os sinos que te chamam

para Nossa Senhora da Assunção.

Cidade das lagoas circundantes

e dos becos solitários e cruéis!

Lagoa de Mondubim

Lagoa de Pirocaia

Lagoa de Maraponga

Lagoa da Onça

Lagoa Feia

Lagoa do Tauape!

Na Praça do Ferreira – desvairada –

teu coração se encontra palpitando

e sofre as tuas dores e retém

a memória gentil de tua infância.

Cidade essencial

cidade marítima

eu sempre te amei.

Tenho versos que um dia cantarei

às tuas praias amplas, ao teu mar

onde pousam jangadas e canções.

Praia de Iracema

Praia de Mucuripe

Praia do Meireles

Volta da Jurema

Praia Formosa

Praia do Futuro

Praia do Pirambu!

Oh! Os teus bairros tão doces e tranquilos

que recordam as canções dos seresteiros:

aldeota, Benfica, Alagadiço,

piedade, Prainha, Navegantes,

Jacarecanga, Porangabuçu!

Cidade de meus filhos, minhas lutas,

meus exílios, desejos, solidões.

Cidade onde é possível o amor de outrora

chegar ao nosso olhar, claro e esquivo,

e em nós ser como foi nos velhos tempos.

Profundo é o meu amor, ó Fortaleza.

É grávido de ti, tão vasto como

teus grandes céus escampos em setembro.

Em ti me guardo, guarda-te em mim

Minha pobre edelweiss, barco ancorado,

minha guitarra se eu fora português!

A presença feminina também é marcante, homenageando Fortaleza.

A poetisa Beatriz Alcântara, da Academia Cearense de Letras, ex-primeira Dama do Estado, voltou-se para nossa Cidade, destacando-se um dos seus bairros com a bela poesia intitulada Mucuripe:

Jangada sem vela

ao mar

não te atreves

à terra

não te entregas

balanço e capricho

te ondulam

Jangadas sem vela

esperas, por certo

novo destino no

dorso das ondas

talvez só uma vela

vento, águas a singrar

peixes pescando

farto o samburá

mesa posta

alegria da volta

redes do dia

redes da noite.

Jangada solitária

em doce descanso

calor e maresia

embalam o torpor

tens do vento a calmaria

vigiando novo rumo

que só a sorte

em luta com a morte

ao destino revelaria.

Risette Cabral Fernandes, poetisa que pertenceu à Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno, representando Limoeiro do Norte e toda a região do Jaguaribe, destacou nossas belezas com o poema Praia de Iracema, assim delineado:


Venho cantar a Praia de Iracema,

Meu samburá vazio de ilusão...

Restos de amor, retalhos de poema,

Paisagem viva do meu coração.


Rugindo o mar em lúbrico dilema,

Sobe em procura... Apalpa pelo chão...

Minh’alma é presa com pesada algema,

Rola de dor, sente alucinação.


Vê os coqueiros todos contornando

A longa praia... Vê o mar beijando

A branca areia aos olhos do luar…


Vê tudo longe! E do torpor voltando,

Somente o meu passado acha velando

Junto à saudade, ali, a me esperar...


(in “rosa do sol”)

Na década de 50, a Praia de Iracema, também, entrou para a memória do Carnaval, através do mais cearense dos maranhenses, o compositor, poeta e maestro Luiz Assunção.

Com o mar tomando as ruas do menor bairro de Fortaleza à época, a Praia de Iracema ganhou as paradas musicais carnavalescas com o samba Adeus Praia de Iracema, registro válido, pela importância do fato:


Adeus, adeus

Só o nome ficou...

Adeus Praia de Iracema

Praia dos Amores

Que o mar carregou.

Quando a lua te procura

Também sente saudade

De tudo que passou;

De um casal apaixonado

Entre beijos abraçado

Que tanta cousa jurou.

Mas a causa do fracasso

Foi o mar enciumado

Que da praia se vingou.


Umas das lagoas mais bonitas de Fortaleza, atualmente bastante prejudicada, foi destaque no olhar de César Coelho, consagrado produtor de Rádio, Jornalista e Trovador de destaque, cronista esportivo e acima de tudo Poeta.

Ele nos legou Lagoa da Maraponga:

A lagoa tinha seus encantos

e seus fantasmas.

A velha que morreu em suas águas

vinha sempre de madrugada

e lavava roupas brancas

como o luar.


O menino afogado

tinha asas de anjo

e era visto à meia noite.

A lagoa guardou minhas alegrias,

meus sonhos, minha infância.


A lagoa ficou na minha vida

pois nela purifiquei

meu corpo e minha alma.

A lagoa vive em mim

com seus encantos

com seus fantasmas.


O poeta e diplomata cearense Márcio Catunda, hoje residente em Genebra, mas, todos os anos vem à Loura Desposada do Sol, matar as saudades, pelo menos duas, nunca esquece sua cidade.

No seu livro Estância Cearense, ele nos presenteia com dois poemas: Pôr-do-Sol no Mucuripe e Louvação à Fortaleza, onde seu coração chora de saudade.

Vejamos Pôr-do-Sol Mucuripe:


Do Mirante abre-se largos espaços:

o mar suavemente azul.

Céu de nuvens translúcidas

-a sucessão cromática dos paramos

A cidade se estende em coqueiros, ilhados de edifícios

e além, os contornos de Uruburetama,

muralha no pélago da imensidade.

Guaramiranga, bloco maciço de cristalizações,

erigido sob a fulguração tórrida.

Maranguape, ondulação imóvel,

perspectiva imaginária na vasta amplitude.

Litoral de oferendas, pavilhões de miserabilidade,

o panorama transcendental.

Na superfície da enseada

áspera arquitetura emerge

-retângulos superpostos.

Mucuripe, província de dunas agrestes,

casebres que contrastam com a metrópole

que se agiganta.

Mucuripe, portal do atlântico,

favela, cais, moinhos, templos e pontes,

sendas de acesso à selva urbana,

os navios espreitam de longe o sumidouro do poente.


E para concluir a nossa homenagem aos cordelistas de nossa capital, na saudade e no respeito à memória do poeta maranhense Cícero Modesto Gomes. Ele que nasceu a 24 de fevereiro de 1939, na cidade de Codó e, aos 10 anos de idade, veio para o Ceará, onde dedicou-se com todo o seu talento.

Ele escreveu o folheto de Cordel Viva o Centro de Fortaleza. Aqui destacamos alguns dos seus versos:


15 espaços culturais

na Capital Fortaleza

pra quem chega e não conhece

desta cidade a beleza

tem pessoas que recebem

com tanta delicadeza.

Em qualquer repartição

que desenvolva a Cultura

tem um funcionalismo

com uma atividade pura

para receber quem visita

sem ter a menor censura.

Tem o Teatro Carlos Câmara

Neste momento relato

Que deve ter diversões

Para o visitante pacato

Na Rua Senador Pompeu 

454

O sobrado José Lourenço

Na Rua Major Facundo 

Prédio antigo feito pelo

Médico que veio ao mundo

Para fazer bem, seu retrato

Está no andar segundo.



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Palestra proferida em 21/01/2026 pelo Acadêmico Vicente Alencar na Academia Fortaleza de Letras


 
 
 

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